domingo, 29 de agosto de 2010

Militares falecidos em Jaguarão

fragmentos de vida (I)

A exposição a seguir inaugura uma série de informações que serão divulgadas pela Oficina das Origens a respeito dos registros de óbitos de militares e familiares existentes nos livros da igreja católica de Jaguarão.
Com o resgate dos nomes aqui destacados, pretendemos chamar a atenção para alguns breves fragmentos de vida que podem ter-se perdido ao longo da história.
No ano de 1881, Jaguarão foi definida no “Diccionario de Geographia Universal” como:
cidade e municipio da provincia de S. Pedro do Rio Grande do Sul (Brasil), na margem esquerda do rio do mesmo nome, a 28 kilom. acima da sua foz e a 166 da capital da provincia, a 32º 24’ Lat. S. O terreno em que se acha situada é algum tanto accidentado; a cidade é importante, não só por se achar collocada na fronteira do imperio, como pelo seu muito commercio com o estado oriental do Uruguay e com o interior da provincia. As ruas são muito regulares e limpas; possue alguns edificios publicos como a igreja matriz da invocação do Espirito Santo, a casa da camara, o mercado e o quartel. Tem 6:440 habit. livres e 1:636 escravos, com 1:011 fogos. Possue escolas publicas para ambos os sexos. É residencia de um regimento de cavallaria e de um batalhão de infanteria; séde de collegio eleitoral e cabeça de comarca judicial de 2ª entrancia. No seu distrito econtram-se minas de carvão de pedra. Tem communicações por barcos movidos por vapor com as cidades de Pelotas e do Rio Grande. Agencia de correio.

Dentre os vários aspectos que dão conta ao leitor sobre a localidade naquele ano, podemos salientar o número de habitantes e a destacada presença militar.
No Rio Grande do Sul, conforme o censo de 1872, havia 446.962 habitantes. (FEE. De Província de São Pedro a Estado do Rio Grande do Sul – Censos do RS 1803-150. Porto Alegre, 1981, p. 77) Ao resgatarmos os habitantes de Jaguarão, percebemos que os dados publicados em Portugal em 1881 reproduziram os de 1872. Portanto, estatisticamente, é no ano de 1872 que a população de Jaguarão contabilizava 8.076 habitantes, dividindo-se em 1.011 fogos, ou casas, com uma média de 8 moradores em cada casa.
Para se ter uma ideia, podemos comparar o número de habitantes Jaguarão com as seguintes localidades:

   - Santa Maria: 8.273
   - Viamão: 8.295
   - Passo Fundo: 8.368
   - Cruz Alta: 8. 402

No que diz respeito aos militares na história da formação das fronteiras brasileiras, a presença do exército é uma exigência natural na defesa e proteção dos espaços.
Jaguarão é uma dessas cidades fronteiriças, cuja mobilidade da população militar é nitidamente observada nas informações que se seguem. Por isso, o objetivo de lançar alguns flashes sobre os registros de óbitos de militares foi a forma encontrada de trazer à tona personagens – às vezes desconhecidos – de uma história de migrantes em um território continental que encontraram sua sorte final em um local, quiçá, inesperado.
 
Rio Jaguarão antes da construção da Ponte Barão de Mauá, construída entre 1927 a 1930. Do outro lado do Rio está a cidade uruguaia Río Branco.
(Fonte: Arquivo Histórico do Estado do Rio Grande do Sul)

 1873 e 1874: quantos eram?

Nos anos de 1873 e 1874, computou-se 405 registros de óbitos, sendo:
1873
1874
Total de Registros
208197
Militares falecidos
114
Familiares de militares
913
Registros ligados a militares (%)
9,618,63


Após o olhar geral, que seus personagens falem por si próprios...
1873
Militares
Nome
Estado
Naturalidade
Outros
André Avelino, Praça
Solteiro
Bahia
-
Antônio Francisco Castilho, CapitãoCasado
Rio Grande do Sul
-
Bernardo Cardoso, PraçaSolteiro
Maranhão
pardo
Domingos João da Cruz, Cabo SolteiroAlagoaspreto; filho de João Bandeira
José Inácio de Souza, CaboSolteiroMinas Gerais-
Manuel da Cunha, PraçaSolteiroPará-
Manuel Pereira do Rosário, AnspeçadaSolteiroBahia-
Miguel Arcanjo Vieira, SoldadoSolteiroMaranhão filho de Bonifácio Vieira Viana
Rafael de Souza Neto, CapitãoCasadoRio Grande do Sul-
Sebastião Rodrigues Pereira, Soldado SolteiroRio Grande do Sulcaboclo
Teotônio Joaquim, AnspeçadaSolteiroRio de janeiro-
 
1873
Familiares de Militares
Nome
Outros
Blandina Filha legítima de Valeriano Gomes de Meireles, Alferes
Domício Filho legítimo de Cândido Gaya Peçanha, Alferes
Elísia Beatriz Dantas Barreto Filha legítima de Emílio Dantas Barreto, Alferes 
Francisco Nat. RS; Filho legítimo de Patrício da Costa Nunes, Capitão
Manuel Filho de Antônio Gonçalves da Silva, Soldado 
Manuel Filho legítimo de Raimundo Nonato Pinheiro de Freitas, Alferes
Maria Filha natural de Manuel Querino de Almeida, Cabo
Maria (parda livre)Filha natural de Manuel Francisco da Paixão, Soldado
SérgioFilho legítimo de João de Almeida Santos Velho, Alferes 

1874
Militares
NomeEstadoNaturalidadeOutros
Francisco Augusto Ferreira e Silva Pernê, AlferesViúvo
Ceará
-
José Inácio de Jesus, Soldado SolteiroRio Grande do Sulpardo
Manuel Carrilho da Silva, AnspeçadaSolteiro
Maranhão
pardo; filho de Francisco Carrilho da Silva
Manuel Emgídio do Bonfim, SoldadoSolteiro
Bahia
pardo

1874
Familiares de Militares
Nome
Outros
AlbericoFilho legítimo de João Augusto Garcez, Tenente
CarlotaFilha legítima de João Pereira de Araújo, Tenente
Francisca Garcia dos Santos Filha legítima de David Garcia, Major
GabrielFilho legítimo de Manuel José da Rocha, Capitão
LourençaFilha legítima de Antônio Augusto Sarmento e Melo, Capitão
Manuel Filho legítimo de João da Costa Mayrinch, Alferes
Manuel (pardo livre)Filho legítimo de Joaquim Manuel Ribeiro, Tambor Mor
Maria Filha legítima de Patrício da Costa Nunes, Capitão
Maria da GlóriaFilha legítima de Higino Pantaleão da Silva, Tenente
Maria JoséFilha legítima de José Carlos Xavier dos Anjos, Alferes
Maria José Gonçalves dos AnjosCasada com José Carlos Xavier dos Anjos, Alferes
Pedro Filho legítimo de Venceslau José de Oliveira, Major
Ramão (pardo)Filho legítimo de Manuel Francisco da Paixão, Soldado

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