quarta-feira, 15 de junho de 2011

Os Jornais: há 100 anos ...

Da galeria Typos e Figuras do jornal O Independente, de 24 de agosto de 1911 [Arquivo Histórico Moysés Vellinho], colacionamos hoje a homenagem prestada a Octacílio Barbedo.

“Octacilio Barbedo
Mais um cidadão distinto vem ilustrar hoje, esta secção, criada para homenagear os vultos mais em destaque da sociedade culta.
É para sempre com íntimo e intenso prazer que o fazemos, convencidos também de que fazendo-o, merecemos os aplausos dessa sociedade.
Prestamos homenagem hoje, a mais um rio-grandense distinto que pelas suas peregrinas qualidades de caráter, coração e espírito, honra grandemente a terra que lhe serviu de berço e que se orgulha de tê-lo como filho.
Octacílio Barbedo, nome por demais conhecido em nosso meio social é esse caráter, esse espírito, esse coração de que falamos acima.
Conhecido e admirado como é entre nós, desnecessário seria que fizéssemos o seu elogio, mas pelo programa traçado e cumprido à risca, vamos dar alguns traços biográficos do digno cavalheiro, que este é o fim da nossa secção.
Traçar-lhe a biografia, longo seria e far-se-iam mister muitas colunas; desse modo, vamos apenas fazê-lo em linhas gerais.
O nosso inteligente biografado nasceu nesta Capital no dia 28 de outubro do ano de 1868, contando hoje pois, quarenta e três anos de idade.
São seus pais o Sr. Isidoro Pereira de Barbedo Filho e a Exma. Sra. D. Guilhermina da Costa Barbedo, sua consorte, ramos distintos de distintas famílias Rio-grandenses.
Desde moço, após ter deixado os estudos, onde se distinguira por uma lúcida compreensão e facilidade de aprender as coisas, dedicou-se ao funcionalismo público onde tem se mantido até a presente data.
É funcionário zeloso da “Meza de Rendas Estadoal”, exercendo com a inteligência e honradez que o caracterizam, as funções de tesoureiro, cargo esse espinhoso e de subida responsabilidade.
Quer na sua vida pública, quer na privada, é um cidadão exemplar, de uma extrema correção e pureza.
É casado com distintíssima senhora da nossa melhor sociedade, possuindo esse digno casal, alguns filhos.
Nas horas livres, quando terminados os seus deveres de funcionário, entrega-se aos seus estudos favoritos. A “História Natural” absorve-lhe todo esse tempo. A arqueologia, a botânica e a mineralogia merecem-lhe grande atenção, sendo admirado como grande conhecedor dessas partes da História Natural. A numismática interessa-o também muitíssimo, possuindo talvez a melhor coleção de moedas do Estado e uma das principais do Brasil.
O nosso homenageado é um escritor cintilante, colaborando em algumas revistas e jornais, sob a modéstia de pseudônimos.
Possuindo fina educação musical, é cronista de grande critério, sendo suas palavras, em tal matéria, muito acatadas.
Encerrando estas breves linhas deixamos nelas estampado o nosso sentimento de admiração por esse cidadão distinto, pelos seus dotes de inteligência, como de caráter e coração.”

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